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As
Primeiras Críticas
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Temos o hábito de ver filmes africanos que tratam de acontecimentos graves sob um tom pesado. O resultado nem sempre está de acordo com as ambições dos diretores e a expectativa do público. Com BARBECUE – PEJO nós experimentamos um filme que conta os mil e um problemas dos países africanos, mas sob a forma de comédia. Comédia, mas com inserções dramáticas que dão ao filme um frescor que satisfaz o expectador. Essa mistura de comédia e drama bem dosada por Jean ODOUTAN é um mérito para um jovem cineasta que ousou exercer um cargo, que mesmo os mais exeperientes diretores não conseguem sempre realizá-lo bem BARBECUE – PEJO nós leva ao sol escaldante da Africa, numa história aparentemente banal, que é na verdade o sintoma de uma política que empurra cada dia, um pouco mais, o continente africano na miséria e humiliação. Jean ODOUTAN nos mostra atores que devoram seu país. O estrangeiro (branco), camelô que quer vender seu carro velho com a cumplicidade de um Afro-atiliano, à um africano seduzido pela miragem da técnica. E no meio desse trio de « Pieds Nickelés » (história em quadrinhos francesa), a esposa africana que, apesar da lucidez e coragem, não consegue desvendar o complô contra seu marido. As aventuras do trio se desenvolvem no meio de uma geografia da moral e costumes africanos, que arrepiam os cabelos de todos que pensam que as tradições existem para manter um statu quo, para o grande desespero dos mais humildes. Enfim, um outro mérito do filme, está na língua utilizada ( para identificar a sociedade em questão) Não é a língua dos aborígenes, não mais que a língua francesa de hoje. Não, Jean ODOUTAN brinca com o público, colocando na boca de seus personagens, uma língua bem esculpida, usada na época de Racine. Um toque talvez irônico do diretor, que nos lembra o que se passava no Benin na época da colonização para uma criança do Quartier Latin. Ali AKIKA (cineasta membro da ACID) |